quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Surpresa, decepção e mistério na eleição de Tinho; que Jequié seja preservada

Foto: Blog Júnior Mascote

A eleição de Tinho de Waldeck para a presidência da Câmara Municipal de Jequié não foi apenas uma grande surpresa. Ela também foi decepcionante e misteriosa.

Decepcionante para os que davam como certa a vitória de Ivan do Leite, candidato apoiado pelo prefeito Sérgio da Gameleira e que contava com 11 votos, incluídos os de Tinho e Admilson Careca -- esse último eleito vice-presidente. Na verdade, sobrou confiança e faltou aquela pitada de malícia necessária nestes casos: não se vai para uma disputa historicamente tão imprevisível com o apoio de somente 11 vereadores. Considerando a "margem de erro" precisa-se de, pelo menos, 14 votos. Na pior das hipóteses, 13. Se não, pode acontecer o que aconteceu.

Mas a vitória de Tinho também está envolvida em mistérios, e é aqui que o enredo torna-se preocupante para a cidade. Nada de errado com Tinho. Ele ganhou legitimamente, dentro das regras do jogo. A questão é: por que os vereadores oposicionistas resolveram, na última hora, votar nele? Quem conseguiu efetivar essa chapa? E principalmente: quais motivações podem explicar essa vitória surpreendente?

Se o objetivo da oposição é desestabilizar o governo Sérgio, está errada. O momento, por enquanto, é de as forças políticas adversárias baixarem as armas e procurarem superar os graves problemas enfrentados pelo município. Não é abrir mão de seus interesses, desde que legítimos; é pensar em Jequié antes de pensar em si mesmos. Vereadores também são munícipes e também precisam de uma cidade mais segura, saudável e educada, adimplente e sem corrupção. É quase impossível que isso ocorra num ambiente de desconfiança, sob acusações de traição, de uma parte, e de ameaças, de outra.

Nas próximas cenas políticas, o que Jequié menos precisa é de rancores latentes e estratégias vingativas. A hora é de diálogo institucional, cada um entendendo as consequências normais de suas ações, assumindo-as com hombridade, transparência e respeito. Se os ânimos se acirrarem nesse começo de mandato, os maiores derrotados serão os jequieenses.

James Meira

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