segunda-feira, 23 de maio de 2016

Temer errou duas vezes sobre o Minc


O grande erro do presidente Michel Temer em relação ao Ministério da Cultura foi político. Primeiro ele errou incorporando a pasta ao Ministério da Educação com o status de Secretaria Nacional. Estava na cara que os artistas acostumados com as benesses do governo iam pra cima. Não que sejam muita coisa, mas têm a mídia na mão, gratuitamente. Qualquer movimento que fizessem teria repercussão nacional instantânea. E teve.

O segundo erro de Temer foi não ter teimado na Secretaria da Cultura. Ora, se tecnicamente não haveria comprometimento; se financeiramente não haveria redução de investimentos - pelo contrário, ele prometeu aumentar as verbas; se economicamente o país enxugaria a máquina, então a estratégia mais recomendável para vencer a barulheira dos famosos seria trabalhar. Quando estivesse claro que o novo lugar não mudou a importância real da coisa, os insatisfeitos ficariam quietos.

Agora, com o recuo, Temer virou alvo de chacotas, que é muito mais grave politicamente que a pecha de retrógrado. O retrocesso é apenas opinativo (e quem tem boca fala o que quer, até que as evidências não permitam falar mais). Mas o que se tem agora é um fato, contra o qual não há argumentos: Temer voltou atrás de uma decisão absolutamente legal, por pressão de adversários.

Os mesmos que cobravam-lhe arrependimento vão condená-lo pelo arrependimento. Temer não está lidando com seres exatamente éticos. Ele está na maior batalha política de sua vida. E precisa, se não quiser ser destruído, agir com protagonismo, altivez, coragem. Dizer que ouviu os reclames sociais só confirma a imagem de fraqueza criada com a ressurreição do Minc.

Que sirva de lição para os próximos embates.

James Meira

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