terça-feira, 26 de maio de 2015

O Distritão simplifica e retrocede

O PMDB, e agora também o DEM, insistem no tal do Distritão. O melhor argumento, talvez o único, é que esse modelo simplifica as eleições, na medida que elege apenas os mais votados em cada distrito. Jequié tem 19 cadeiras para vereador; seriam eleitos os 19 mais votados. A Bahia tem 63 deputados estaduais; seriam eleitos os 63 mais votados. São 39* federais; os 39 primeiros estariam eleitos.

Parece simples, não é? E é mesmo. Mas por trás dessa simplicidade esconde-se uma lógica fria e perversa. Vamos ver?

Com o Distritão, as campanhas serão ainda mais caras, porque a possibilidade de vitória com eleitorado localizado em um reduto será praticamente zero. Quem quiser ganhar vai ter que correr o município todo (se candidato a vereador) ou o estado todo (se candidato a deputado estadual ou federal), já que só os primeiros colocados serão eleitos. Isso representa a vitória de quem tem dinheiro para bancar tantos gastos. É a pior face do poder econômico nas eleições.

Como consequência, teremos menos candidatos, pois quem não acredita que estará entre os mais votados não vai se arriscar numa disputa perdida. Pela regra atual, que não é boa, candidatos podem ser eleitos pelo coeficiente eleitoral, mesmo não tendo conquistado votação entre os primeiros. Com o Distritão isso acaba e o sistema fica muito pior. Os caciques se perpetuam. Não haverá espaço para renovação política.

Os partidos grandes vão engolir os nanicos, cujos candidatos são inexpressivos sozinhos, mas ganham força com a votação dada aos demais candidatos do partido. No distritão ninguém ajuda ninguém. É cada um por si. Os grandes vão montar suas superestruturas, juntar os melhores candidatos e passar o rolo compressor nos outros.

Com o Distritão a representação geográfica recebe o golpe final. Candidatos de Zona Rural, no caso de vereadores, dificilmente serão eleitos, pela pequena quantidade de eleitores residentes em sua região. O resultado serão regiões inteiras sem representantes. Idem com os candidatos de pequenas cidades. A maioria dos políticos estará nas zonas mais populosas. Com isso, as populações mais distantes terão dificuldade em apresentar seus pleitos.

O resumo da ópera é que o Distritão simplifica a política e retrocede a democracia representativa.

James Meira

* A Bahia tem 39 deputados federais e não 37, como constava no texto.

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