sábado, 23 de maio de 2015

Conveniências políticas e suas consequências


Durante esses últimos dois anos e meio a Câmara de Vereadores de Jequié foi um calo no pé da prefeitura. Edis combativos contavam-se na oposição e na base governista. As críticas eram abertas e contundentes, salvo da parte daqueles que exerciam a função de líder do governo, os quais, embora muito falassem, não convenciam.

Devagar o cenário está mudando. É cada vez menor o número dos que continuam combatendo o bom combate. Aparentemente, a proximidade das eleições de 2016, em que a maioria da Câmara buscará reeleição, freia os ânimos e estabelece um clima de complacência mútua entre os poderes executivo e legislativo em Jequié. Expor-se significa perder apoio e perda de apoio resulta em menos votos.

A lógica é velha mas não se sustenta diante das evidências percebidas pelo povo. E o povo é quem elege. Quantitativamente, o governo que aí está tem um dos maiores índices de rejeição já visto na cidade. Pensar que apoiá-lo, minimizando as críticas, trará lucros eleitorais, é um erro infantil. Não se exige deixar o governo, mas não se pode tapar o sol com a peneira.

Qualitativamente o desastre talvez seja maior. Segurança, saúde e educação, o tripé da administração pública, agonizam pedindo socorro. A Guarda Municipal, imprescindível no sistema de segurança pública local, aguarda o cumprimento da lei 13022, que obriga a prefeitura de Jequié a criar pelo menos 85 novos cargos, além da aquisição de armas de fogo e criação de órgão de treinamento para os GM's. Na saúde, o PA do Campo do América não foi reaberto e o do Cansanção ainda espera inauguração. Especialidades simples, como oftalmologia, tem data de marcação prevista para daqui a 3 meses. Refletindo o estado da educação, a média do Ideb das escolas públicas municipais caiu.

Em suma, o governo está numa crise da qual não consegue sair. Cargos, obras pela metade ou qualquer outra "benesse" que venha da Administração serão insuficientes para garantir o sucesso dos vereadores governistas no pleito do ano que vem. A imagem da Câmara, igualmente desgastada, será ainda mais feia se tornar-se mais parecida com a Prefeitura.

Os vereadores que quiserem continuar no barco de Tânia não podem ter submissão servil nem a ela nem a seus secretários mais poderosos. Precisam manter a independência, dialogar de igual pra igual, na tentativa de ajudar. E precisam divulgar suas posturas, para o povo discernir entre a aliança política e o compromisso da representação. Talvez assim consigam dar um pouco mais de fôlego à Administração e alavancar, entre os quadros atuais, alguém que possa se apresentar candidato à sucessão.

James Meira

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