terça-feira, 25 de novembro de 2014

Pacto entre Roberto e Euclides faz mal a Jequié

    No estúdio da 93 FM Euclides Fernandes e Roberto Britto trocaram amabilidades e mútuos elogios
Uso da máquina pública para desmantelar a oposição pode ser um tiro no pé

Na semana passada começou a circular na cidade a notícia de um acordo entre o deputado federal Roberto Britto (PP) e o deputado estadual Euclides Fernandes (PDT). Eles são os principais representantes políticos de Jequié, ao lado de Antonio Brito (PTB) e Leur Lomanto Jr. (PMDB). Segundo a informação, os termos do acordo envolve 80 cargos no governo e mais 2 secretarias para Euclides. Em troca, o pedetista garantiria seu apoio à prefeita Tânia e ao indicado por Roberto à sucessão municipal em 2016.

Veja, leitor, a ser verdade essa versão, o que temos é uma ação política em que cargos públicos são usados para obter-se apoio. A prática é velha, mas nem por isso aceitável. Na verdade, a cada dia mais pessoas rejeitam esse toma lá, dá cá. Se fosse o contrário, isto é, cargos públicos divididos em consequência de um apoio anterior, como acontece com as coligações eleitorais vencedoras, seria mais razoável.

O loteamento político-pragmático, contudo, não é o maior problema do acordo. Afinal, os cargos existem e precisam ser preenchidos. O critério pode ser ruim, mas não há ilegalidade nenhuma. As críticas têm de continuar, mas não é preciso cair na leviandade. O grande problema é que, com o pacto entre Roberto e Euclides, as oposições de Jequié praticamente se calam, restando, na Câmara de Vereadores, não mais do que 2 ou 3 gatos pingados. Claro que os edis do PDT estão com a  prefeita desde o começo do mandato. Mas era uma concessão do partido, que poderia exigir mudança a qualquer momento. Agora não muda mais. O posicionamento do líder, Euclides Fernandes, define a questão.

Antonio Brito e Leur Jr. podem se posicionar? Podem. Mas não têm representantes na esfera municipal, com exceção de Joaquim Caires, do PMDB. Restam-lhes seus prepostos e a Jequié FM.

Euclides era, até aqui, uma voz incômoda à prefeita. Candidato derrotado em 2012, ele fazia uma oposição à sua maneira: falava pouco, mas falava com propriedade. Chegou a dizer que o governo Tânia estava fadado ao fracasso. Seu programa na 93 FM, nas manhãs de sábado, tem grande audiência. E não vai aqui nenhuma bajulação. Pelo contrário. É, na verdade, um lamento, porque na oposição ele poderia fazer as críticas de que a administração precisa para achar seu rumo. Governista, o que Euclides vai fazer? Provavelmente, nada.

De outro lado, Roberto se arrisca nas velhas estratégias, quando deveria convencer a prefeita a lhe ouvir mais. Ele foi o último administrador respeitável dessa cidade. Deve ter muito a contribuir. É um dos maiores responsáveis pela vitória esmagadora da ex-mulher. Essa história de que a prefeitura vai mal porque Roberto é quem manda não faz sentido, pois, como diria o apóstolo Paulo, "ninguém milita contra o próprio corpo". Se ele é uma exceção à regra paulina, então já é hora de se converter. Ou vai esperar seus votos diminuírem ainda mais?

Continuo torcendo pela prefeita, mas paciência tem limite. Nesse cenário de conflito de autoridade não acredito que disposições internas promoverão melhoras. Acho que ela precisa de uma oposição dura, que lhe abra os olhos pela força da verdade porque, ao que parece, seu 1º escalão faz questão de ocultar os fatos.

Talvez os especialistas discordem, mas a meu ver a derrubada da oposição é só mais um estágio para a completa desmoralização do atual governo. 

James Meira

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