quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Metonímia do mal: canabidiol não é maconha

Artigo

Os defensores do uso "recreativo" da maconha estão se aproveitando de uma discussão político-científica para promover a campanha da legalização da droga. Um mar de confusão está se formando em torno do canabidiol, substância proveniente da maconha usada no tratamento de algumas doenças psíquicas, psiquiátricas e até da epilepsia.

Cada nova notícia de regulamentação oficial do medicamento, como a decisão do Conselho Federal de Medicina de permitir a prescrição do canabidiol, é acompanhada de manifestações dos ativistas pró-cannabis. Aos poucos, o discurso jornalístico está se rendendo à mistura de conceitos e preconceitos em curso. Artistas festejam o que consideram o primeiro passo rumo à legalização. Intelectuais se refestelam com a "ajuda" da ciência.

É o espírito da desinformação (e da mentira proposital, em alguns casos) movendo corações e mentes de enganadores e enganados. 

Os resultados terapêuticos do canabidiol nada têm a ver com os efeitos nocivos da maconha. Que fique claro: o canabidiol é apenas uma das 400 substâncias que compõem a cannabis sativa. Ele não é psicoativo, não altera os sentidos. Os consumidores do canabidiol não habitam um mundo alternativo, como muitos usuários da erva in natura. Pelo contrário. Voltam, para alegria de seus familiares, para o mundo real. Veja as diferenças.

O canabidiol é ansiolítco. A maconha, apesar da momentânea sensação de bem-estar que proporciona, potencializa o risco de ansiedade.

O canabidiol diminui a fobia social, que é o medo de falar em público. A maconha enclausura. Anthony Wong, pediatra e toxicologista do Hospital das Clínicas e membro da Organização Mundial da Saúde, alerta sobre o risco da maconha para quem tem a patologia.

O canabidiol é eficaz contra a perda de memória. A maconha acelera a amnésia e compromete outras funções cerebrais.

O canabidiol combate a epilepsia, a esclerose múltipla e alguns sintomas do Mal de Parkinson, como os tremores incontroláveis. A maconha leva à esquizofrenia e à depressão.

O canabidiol não causa dependência. A maconha vicia e seus efeitos, mesmo que o indivíduo pare de usá-la, é duradouro.

Como se vê, não se trata de uma simples troca de palavras. A metonímia, nesse caso, é um crime linguístico.  A parte (canabidiol) não pode ser tomada pelo todo (maconha).

Canabidiol é uma dádiva da ciência. Maconha continua sendo a erva maldita, porta de entrada para o reino das drogas.

James Meira 

Saiba mais:
 
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/files/2012/10/arte-maconha.jpg
Verdades sobre a maconha (clique na imagem para ampliá-la)

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