segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Lúcio Vieira Lima, do PMDB baiano, quer seu partido fora do governo Dilma

O deputado Lúcio Vieira Lima, um rebelde do PMDB
Deputado Lúcio Vieira Lima, um rebelde do PMDB (PMDB.org.br/Divulgação)

Leia abaixo trechos da entrevista concedida  pelo deputado federal baiano Lúcio Vieira Lima a Marcela Mattos, do site de Veja. A íntegra está aqui.

De onde vem a insatisfação do PMDB com o governo? (..) O PMDB sempre ocupou ministérios periféricos. Então, no primeiro mandato, o PT ficava com o bônus, e o PMDB, com o ônus. Nós éramos chamados apenas para aprovar projetos, e, depois, eventuais bônus das políticas públicas eram atribuídos ao PT. Foi alertado ao Temer que a aliança estava trazendo prejuízos, e isso foi refletido nas eleições.(...)

Qual ministério o PMDB gostaria de ganhar agora? Eu defendo que o PMDB não tenha ministérios (...) Hoje o PMDB já anuncia que terá candidatura própria para a Presidência em 2018. (...) Se nós estivermos ocupando cargos no governo, não poderemos ter uma candidatura de oposição. (...) Para sinalizar para as bases que nós teremos candidatura própria em 2018, a primeira coisa que se tinha de fazer é não ter cargos no governo. Se não, é um projeto que já nasce morto, em que ninguém vai acreditar.

Nesse ano, o PMDB encabeçou um ‘blocão’, ao lado de partidos da base e de oposição. Para o novo mandato da Dilma, há ideia da reedição do ‘blocão’? O objetivo do blocão, assim como o da apresentação de candidatura própria para a presidência da Casa, é preservar a autonomia do Legislativo. (...) A Dilma prometeu dialogar, mas não fez mudança alguma. A sinalização dada agora nesse início de governo é para a mesma prática.

As eleições deste ano foram marcadas pelos votos em branco e nulos, além de um grande apoio à oposição. Esse resultado muda o comportamento do Congresso? Claro. Agora nós temos mais legitimidade. A presidente não foi eleita pela maioria do povo brasileiro. (...) Quando se tem uma diferença tão pequena para a presidente Dilma, as urnas sinalizam que o país não quer esse governo centralizador e totalitário. (...) Sinalizam, ainda, que não há mais espaço para o governo tratorar. Agora é preciso espaço para conversar. (...)

O PMDB é criticado pelo fisiologismo e pelo interesse por cargos. Como fazer acreditar que por trás desse posicionamento não está o interesse na reforma ministerial? O PMDB é tido como símbolo do fisiologismo por ser o maior partido. Não estou dizendo que não pratique isso, mas que todos os partidos praticam igualmente. (...). Mas as atitudes vão fazer a diferença. Por isso que eu defendo que o PMDB não tenha nenhum cargo e que não use a presidência da Casa para indicar ministros.

O senhor foi o deputado mais votado da Bahia. O resultado pode ser atribuído ao estilo combativo? É um mosaico, um conjunto de fatores. O jeito combativo ajuda, sim, porque a população identifica que tem alguém para lutar por ela. Eu também busco dar uma atenção especial ao eleitorado. Eu usei muito as redes sociais para interagir com as pessoas. Eu tenho um jeito que é muito acessível e os eleitores se sentem à vontade para me abordar. Eu procuro me comportar como um cidadão comum, então eles me veem efetivamente como um representante deles.

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