sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Os católicos e as eleições


Leia abaixo a Nota Pública "Os católicos e as eleições", do bispo diocesano de Jequié, Dom Ruy. Em outra postagem, comento porque as orientações do líder católico podem ser lidas como advertências para que não se vote no PT.

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Poucos dias e teremos um momento importantíssimo do País que definirá os rumos de nossa sociedade e cada um de nós somos responsáveis por isso. Na condição de Pai Espiritual e Pastor desta Grei, como Bispo Diocesano de Jequié, não poderia deixar de orientar os nossos fiéis. Primeiramente acentuo a partir do título desta Nota Pública o termo católico. Ele é mais adequado do que outros pressupostos mais abrangentes. A nossa fé é vivida, experimentada e orientada a partir de nossa identidade. Neste horizonte,  a Igreja Católica possui uma Doutrina Social que está compendiada e publicada em junho de 2004, com a finalidade de orientar tudo quanto está em conformidade com o Evangelho de Cristo e o milenar Magistério da Igreja.

Nesta sua Doutrina Social, a Igreja apresenta a sua “simpatia pela democracia” (Centesimus annus, 46 – João Paulo II). Apesar disso, a Igreja Católica não propõe modelos políticos, apesar de restringir e censurar o marxismo (Ibid 42,43) e não possui partidos, nem candidatos. Não impõe nomes a serem sufragados nem obriga a votar em determinados candidatos. 

Entretanto,diz, sobretudo, em quem não votar. Há candidatos e partidos que não podem receber o nosso apoio. São aqueles cuja conduta, ideias e partidos não se comprometem com a justiça, segurança, combate à violência, dignidade da pessoa, respeito pela vida humana desde a concepção até a morte natural. Aqueles candidatos ou partidos, que são favoráveis ao aborto e à eutanásia, as uniões que desvirtuam o papel da família segundo sua identidade natural e a destroem. Ou aqueles outros que não respeitam a liberdade religiosa e de consciência.

Outra orientação da Doutrina Social da Igreja é de que os Católicos não se associem a partidos políticos corruptos e vote em candidatos envolvidos em corrupção (411,447,450). Jamais se deve votar em candidatos comprovadamente corruptos. “É muito difícil que um corrupto consiga voltar atrás”, dizia o Papa Francisco aos Parlamentares italianos. A “Lei da Ficha Limpa” é uma conquista da sociedade brasileira que contou com a iniciativa e a apoio da CNBB.   Faço coro, e não poderia ser diferente, às palavras recentes do Papa Francisco na exortação apostólica Evangelii Gaudium: “Rezo ao Senhor para que nos conceda mais políticos que levem verdadeiramente a sério a sociedade, o povo, a vida dos pobres” (205).

Aos 11 de setembro de 2014.

Dom José Ruy G. Lopes, OFM CapBispo Diocesano de Jequié

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