sábado, 5 de outubro de 2013

O que move os políticos?

O troca-troca de partidos visto nesta semana mostra quão frágeis são as convicções de nossos políticos. Nas mais das vezes, eles são guiados pelo princípio da conveniência, que costuma ser imoral, porque visa apenas alcançar o objetivo, independentemente dos meios empregados. É a velha máxima de Maquiavel de que "os fins justificam os meios".

Princípios, programas e ideologias partidários não importam. Aliás, ideologia é verdadeiro xingamento no politiquês brasileiro. Cantam cegamente com Cazuza: "Ideologia! Eu quero uma pra viver".

Nesse ritmo vão mudando, por exemplo, do Democratas para o PT como se fosse a coisa mais normal do mundo, como se esses partidos não tivessem diferenças irreconciliáveis. Ou migram do DEM para o PSD, que não é "nem de esquerda, nem de direita, nem de centro", como disse Gilberto Kassab, dando ensejo a que ACM Neto ressignificasse a sigla para Partido Sem Decência.

Está claro que, no Brasil, partido político serve mesmo para alcançar o poder, ou tomá-lo, como alguns preferem dizer. Nada de princípios. O princípio é se dar bem. É fazer as contas e ver qual oferece as melhores condições de eleição.

Não é assim na maioria dos países desenvolvidos. Lá, faz-se contas e se formam governos de coalizão, mas os princípios são respeitados. É impensável uma eleição na Inglaterra sem acirrada disputa ideológica entre conservadores, trabalhistas e liberais; ou nos Estados Unidos sem a tradicional rivalidade entre republicanos e democratas.

É que, nesses países, políticos que se prezam têm convicções firmes, compartilhadas por parte da população. Aqui não. Aqui político que se preza têm bons aliados, que lhes garantam projeção pessoal. A diferença é esta: enquanto as convicções aperfeiçoam ideias, a projeção pessoal conduz à vaidade.

Por James Meira

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